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sábado, 29 de dezembro de 2012

O ESTRANHO


   
Quando eu nasci ainda não havia o Estranho, ele só apareceu nos anos cinquenta, mas precisamente no ano de mil novecentos e cinquenta e sete. Na casa dos meus pais não havia o Estranho, na minha aldeia o Estranho só apareceu nos anos sessenta; mas em casa dos meus pais só nos anos setenta. Eu comecei a ouvir o Estranho nos anos sessenta mais precisamente no ano de mil novecentos e sessenta e dois.

   
Via o Estranho na Rua de Belém junto a esquadra da PSP, no café, que chamava-mos de cova funda, porque do nível da rua para o café tínhamos que descer dois degraus; a gente sentava-se á volta de uma mesinha redonda, e tomávamos uma Bica (Café) que custava um escudo e vinte centavos, ou seja doze tostões, ouvia-mos o Estranho a falar do Bonanza, a Tempestade e outras coisas mais, o estranho falava muito bem.

      
Desde o início que o Estranho entrou na casa dos meus pais, eles logo gostaram dele e ficaram fascinados por esse personagem encantador, e meu pai convidou-o para ele ficar em nossa casa com a nossa família. O Estranho aceitou, e desde então tem sido um aliado nosso, em quanto tudo vai passando a correr ele nunca perguntou nada a minha família.

Os meus pais eram os meus interlocutores complementares, a minha mãe sempre me ensinou o que era bom e o que era ruim, meu pai me ensinava a obedecer.
O Estranho era para mim um contador de histórias, umas boas e outras más, nós ficávamos fascinados por horas a ouvir as suas aventuras, mistérios e comédias. O Estranho conhecia tudo sobre o nosso passado e presente até poderia prever o futuro.

No ano de setenta e seis, quando constituí família, levei
o Estranho lá para minha casa. O Estranho nessa altura falava muito nas telenovelas Brasileiras, como Gabriela, Casarão e outras mais, sempre gostei de ouvir o Estranho falar. O Estranho levou minha família a ver o primeiro jogo de futebol, ele me faz rir, mas também me faz chorar, me faz rir com as palhaçadas do Fernando Mendes e do João Baião e outros. O Estranho nunca parou de falar, mas eu não me importava as vezes minha esposa levantava-se em silêncio, em quanto eu ficava a ouvir o que ele tinha para dizer.

Eu corria a casa para ouvir as conversas morais do
Estranho, mas nunca foi obrigado a ouvir palavrões, porque não eram permitidos em minha casa, nem de nós ou dos nossos amigos, ou de qualquer pessoa que visita-se a minha casa. Na minha casa não se falavam palavrões ou linguagem imprópria, não se falava em álcool, mas o Estranho dizia para experimentar e faze-lo regularmente: ele fazia cigarros de olhar fresco e inocente, dizia que os charutos e cachimbo eram distintos.

Ele falou livremente e talvez demais sobre o sexo, os seus comentários eram óbvios, outras vezes eram sugestivos, mas sempre muito embaraçosos. Agora sei correctamente o que é um relacionamento, talvez influenciado fortemente pelo
Estranho. Ainda hoje o Estranho permanece na minha casa, tenho dois, um na sala de jantar e outro no meu quarto, há mais de trinta e cinco anos que o Estranho permanece em minha casa. Desde então muita coisa mudou, agora já não é tão fascinante como no início.

No entanto eles hoje; ainda estão sentados num canto da minha casa, como se estivessem a espera de alguém. Que queira ouvir as suas palestras já gastas pelo tempo: porque eles têm o seu tempo livre para nos fazer companhia. Hoje já não gosto tanto de ouvir
o Estranho falar; porque agora as suas palestras são só: de desgraças, assaltos, crise, tróika e cortes nos salários dos funcionários públicos e reformados. Parece que o Estranho, já não sabe falar de mais nada.

Mais parece as conversas em família de um tal senhor de quem chamavam ditador, acho que
o Estranho está a perder a sua popularidade, porque agora esse Estranho já não fala sozinho outros apareceram a falar no Estranho, e desde então começou a guerra dos números, já não tem a graça que tinha quando falava sozinho. Para ser franco hoje; só gosto de ouvir falar o Estranho, no bom dia Portugal, na Praça da Alegria, Portugal no Coração e no Preço Certo, de resto o que diz o Estranho para mim já não tem o mesmo valor. Este estranho apenas se chama televisão


  O  ESTRANHO


Oh! Estranho da minha infância…

Já não tens a graça que tinhas:

Apareceram outros estranhos,

E tu ficaste mais mansinho.

Tinhas um programa….

Que eu muito adorava;

Eram esses bonequinhos:

Contra informação se chamava.

Nada mais, quero escrever…

Porque não te quero perder:

És esse lindo Estranho:

Que eu continuarei a ver.

 

Os Três


A ti, João Baião…
Palhaço do meu coração:
Adoro as tuas palhaçadas;
No Portugal do coração.
E tu ó Fernandinho…
Também és um palhacinho
Fazes as tuas palhaçadas;
No chão do preço certo deitado.
E tu Jorge Gabriel…
Podias ter sido um anjinho,
Mas de anjinho não tens nada;
És o Jorge Gabriel:
Da praça da alegria muito amada.

Autor: Santa Cruz  ( Diácono Gomes)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A FORÇA DE SER

Quantas vezes me sinto sem forças, até a tua chegada era caudal de pranto que caía no fundo de um poço. Sentia que me faltavam as forças para sair desta amargura, tristezas e dores, que envolvia a minha alma. Estou cheio de frio, para aprender com o sofrimento, esta queda que transformou a minha alma em sabedoria.

Tenho-te dentro de mim anjo querido, só tu me fizeste renascer de novo, és a ferramenta que fez abrir os meus braços para uma vida nova, e manter sempre na minha mente que tu és a flor mais bela da minha alma.

Deus deu-me outros amores, e lindas flores que eu amo e trago no meu coração, mas tu, Gonçalinho és e serás para sempre uma das flores mais belas da minha vida, és alegria da minha alma e do meu ser. Deus há-de velar por todos nós, e nunca deixará que tu, meu lindo anjo deixes de ser alegria eterna dos teus avôs.

És um ser abençoado desde o dia em que nasceste, és um presente dado por Deus aos teus pais e avôs. És um lindo e belo menino que Deus quis por na vida de teus pais. Amo-te do fundo do meu coração e com a força da minha alma, porque vieste iluminar a minha alma e todo o meu ser.

Tudo se transformou na minha vida, que andava um pouco adormecida, porque meu coração sofria e sofre em silêncio, mas com a tua chegada essas minhas dores e sofrimentos amainaram, mas não passaram, deixeis de pensar em algumas coisas da vida, porque não quero que vejas teu avô, com cara de tristeza ou de sofrimento.

Há coisas que eu não posso esquecer, mas tu meu amado neto fizeste com que eu olhasse de outra forma para a minha vida. Com ajuda de Deus, quero ver-te crescer e seres um homem. Hoje que festejamos o teu aninho de vida; não peço mais nada ao meu Senhor e meu Deus, apenas que me deixe viver mais alguns anos, para eu te poder ver ir para a escola. Amo-te Gonçalinho do fundo do meu coração, e um dia quando partir levarte-ei no meu coração.

A MAIS BELA FLOR:

Gonçalinho! És a flor da minha alma…

És pétala de uma bela flor:

Que alegra a minha alma:

E a minha vida e o meu olhar.

És belo e muito belo, és a mais bela flor…

Que eu precisava, para saborear a minha alma;

És a mais bela das flores da primavera:

Tu és o meu pensamento estranho e raro.

Gonçalinho! És a mais bela das orquídeas…

És de uma rara e pura seda;

És uma orquídea muito bela:

Que transformas-te a minha vida.

És flor que curas as minhas lágrimas…

Minhas eternas tristezas e dores.

Oh! Minha bela e doce flor…

Que eu semeei no meu jardim;

És e serás a mais bela e rara flor?

Flor tão bela que estás dentro de mim.

Autor: Santa Cruz (Diácono Gomes)



 

 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A MORTE




A morte de uma pessoa de Família causa-nos grandes tristezas, a partida da casa de onde viveu, recorda-nos que não temos aqui morada permanente, mas que apenas somos peregrinos a caminho da Pátria Celeste, aonde viveremos eternamente junto de Deus Pai. A partida de um famíliar deixa-nos tristes, mas não devemos chorar a sua partida, porque Deus é amor e o seu amor por nós é eterno, por isso se estivermos preparados não devemos ter medo da vinda da morte, porque nós não partimos apenas passamos para o outro lado da rua, e deixamos de estar presente, mas o nosso amor pelos nosso famíliares nunca ser perde.


Vamos para junto de Deus Pai, ai vamos velar por aqueles que ainda peregrinam na terra, como todos sabemos, a nossa peregrinação na terra pode ser longa ou curta, não cabe a nós dicidir, só Deus a que sabe o tempo que vamos andar neste mundo belo criado por Deus, mas estragado pelo o homem e pelas suas ambições, Deus quando criou o mundo, criou para ser um mundo belo para todos os seres viventes, mas também na sua criação deixou escrito que todos os seres nascem e morrem. Não foi por acaso que São Francisco de Assis ao sentir o aproximar da sua morte pediu a dois amigos frades, para lhe cantarem um Salmo de confiança ao Senhor. Depois disse Louvado seja o Senhor pela nossa irmã morte da qual nenhum ser vivente pode escapar-se.

ADEUS
 
Este adeus não é eterno...
Porque eu não morri;
Apenas parti para para o outro lodo
E deixo de estar junto de vós.

A morte a mim não me diz nada...
Eu sou eu, e vós sois vós;
O que fui para vós ainda sou.


Dai-me o nome que sempre me deram...
E falai-me como sempre me quiseram falar:
Não mudeis o tom solene da vossa voz;
Continuem a rir, conforme nos riamos juntos.

Rezem e pensa em mim, e rezem comigo...
Que o meu nome seja pronunciado na vossa casa:
Como voçês queriam que fosse;
Sem nenhuma ênfase, e sem rosto de sombra.


A vida contínua a significar o que significou...
A vida continua a ser aquilo que era;
O cordão da minha união Convosco não se quebrou:
Eu estaria fora dos vossos pensamentos,
Apenas porque estou fora da vossa vista.

Mas eu não estou longe!
Apenas estou do outro lado da rua;
Já verão que tudo está bem comigo?
e descubram o meu coração,
E nele descobriram uma ternura mais pura.

Se me amam! Sequem as vossas lágrimas...
Eu não quero que choreis mais por mim:
Porque um dia nos encontraremos de novo;
Na Pátria Celeste, felizes na casa de Deus Pai.

Autor: Santa Cruz (Diácono Manuel Gomes)


Nota: O Texto é da minha autoria e o poema foi escrito baseado num texto escrito por Santo Agostinho.